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Quinta-feira, 02 de maio de 2024 - Email: [email protected]

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Funcionário público agride repórter negra e xinga ela de “macaca”

Repórter leva tapa de funcionário público no Rio e é chamada de “macaca” e “piranha”. A jornalista registrou B.O, mas disse estar com medo: “Se esse cara fez isso com pessoas que têm uma câmera e um microfone, imagina o que faz com aqueles sem voz?”

A repórter carioca Julie Alves sofreu uma agressão e racismo durante uma reportagem do programa “Fala Baixada”, do canal CNT Rio, próximo ao posto de saúde do Mucajá, na Baixada Fluminense.

A jornalista, de 44 anos, e o cinegrafista, Vângelis Floyd Ferreira, de 35 anos, mostravam os problemas em um lixão que fica ao lado da unidade de saúde, e resolveram conversar com um responsável do posto sobre o assunto.

Um homem, que se identificou como funcionário, tentou impedir o trabalho e xingou os profissionais no momento em que eles entraram no pátio da unidade de saúde. Ele chamou Julie de “macaca” e o cinegrafista de “gordo”, em atos de racismo e gordofobia. As informações são do jornal O Globo.

A repórter afirma que o homem deu um tapa forte no seu braço, o que fez o microfone cair no chão. Enquanto ela recolhia o equipamento, o funcionário se dirigiu ao cinegrafista e o chutou, sendo retirado em seguida por outra pessoa.

O agressor é Clodoaldo S. de S., conhecido como Dudu, que tem o cargo de diretor da Unidade Médica de Engenheiro Pedreira (Umep), distrito do município de Japeri.

“Estávamos filmando o lixão e perguntei se alguém do posto poderia falar sobre o assunto. Esse cara consentiu e, quando entramos no pátio, já gravando, ele começou a gritar, disse ‘grava não, c… Vai para casa do c…, não pode gravar aqui’ e fui narrando o que acontecia. Eu disse que gravaríamos sim, e ele falou: ‘Não vão gravar nada, sua macaca, piranha’. O cinegrafista foi me defender, e ele disse: ‘Cala a boca, seu gordo’. Foi então que ele partiu para cima de mim. Deu um tapa na minha mão. Pensei que ele fosse dar na minha cara, e o microfone caiu. Eu me abaixei para pegá-lo e ele avançou no cinegrafista”, diz.

Segundo a jornalista, o agressor também alegou estar se sentindo mal para ficar na mesma sala que ela e o cinegrafista, quando então fez ameaças contra eles. Após a chegada do diretor do programa, Mauro Vasconcelis, a dupla foi registrar um boletim de ocorrência. O funcionário da prefeitura de Japeri foi denunciado por lesão corporal, injúria por preconceito e ameaça contra Julie e Vângelis.

Com dez anos de carreira e há dois meses meses fazendo reportagens para o “Fala, Baixada”, a jornalista afirma que ficou mais chocada porque o seu agressor era preto como ela.

“Ainda estou abalada, psicologicamente mal. Primeiro, pensei que ele fosse fazer algo pior, só faltou nos matar. Mas é muito complexo quando você sofre racismo de um preto como você. O que posso dizer é que, no decorrer de dez anos de profissão, eu só sofro racismo de negros, essas atitudes truculentas ou ser maltratada. Já fui barrada para trabalhar em camarote por segurança que era negro como eu, mas que deixou os colegas brancos passarem. Atrizes negras me tratam mal. Fico indignada quando essas pessoas levantam a bandeira contra o racismo, mas na prática são poucos que não fazem discriminação com as próprias pessoas da raça”, desabafa.

“Sou negra, mulher, nasci no Complexo da Maré. Já vi de tudo lá dentro. Eu tinha medo, mas ao mesmo tempo me sentia segura com o meu povo. Aqui no asfalto, eu tenho medo e me sinto sozinha. Quem deveria me acolher me amedronta. O cara que é um funcionário público num posto de saúde e vai me amedrontar? Eu estou com medo. Até mesmo enquanto estávamos indo para delegacia, achei ele poderia nos interceptar e fazer algo. Se esse cara fez isso com pessoas que têm uma câmera e um microfone, imagina o que faz com aqueles sem voz, no caso a população?”, questiona.

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Fonte: pragmatismopolitico



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