Quarta-feira-7 de outubro de 2026 - Email: [email protected]

O drama do coronavirus poderia ser menor, se as autoridades não tivessem negligenciado a Saúde


José Hiran da Silva Gallo

Por Hiran Gallo* – A vida nos tem mostrado a importância de aprender com as experiências acumuladas ao longo do tempo. Isso acontece em todos os campos: nas relações pessoais, familiares, sociais e até políticas. Na área técnica, é o mesmo processo. Por isso, os gestores devem estar atentos à forma como os fenômenos se sucedem e pensar em soluções para responder a situações semelhantes que possam se repetir no futuro.

A pandemia de COVID-19, que tem deixado milhares de vítimas no Brasil e no mundo, certamente terá esse efeito educativo para aqueles que são responsáveis pela gestão da saúde. No País, não faltaram alertas ao longo dos anos, feitos por diferentes entidades, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), cobrando aumento nos investimentos na rede pública. Dentre outros pontos, sempre cobrou a ampliação do acesso da população a leitos de internação e de unidades de terapia intensiva (UTIs).

Reconhece-se que, em termos nacionais, houve movimentação para que essa cobertura fosse melhorada. Porém, as iniciativas sempre ficaram abaixo da expectativa dos especialistas e da população. Como resultado, as longas filas de pacientes aguardando internação ou autorização para fazer um procedimento ou cirurgia eletivos nunca pararam de crescer. Da mesma forma, nos hospitais, a demanda por UTIs também tem se mantido em alta.

Esse quadro deficitário, que existia em períodos de normalidade, ficou ainda mais agudo com a iminência de uma grande demanda sobre a rede pública por conta de pacientes com sintomas graves de COVID-19. Ou seja, além da pressão rotineira de pacientes politraumatizados, diabéticos, hipertensos, transplantados, renais crônicos, com AVC, em tratamento de câncer e com sistema imunológico fragilizado, entre outros, recairá sobre a rede de atendimento às demandas dos casos confirmados de coronavírus.

Os últimos dados divulgados pelo CFM, em 2018, davam conta de 331 leitos de UTI no estado de Rondônia. Desse total, 213 estavam na rede pública e os outros 118 no particular ou sob a gestão de planos de saúde. Esse volume representava 0,7% das unidades disponíveis em todo o País. Até o momento (03/04), houve o registro de contaminação pela COVID-19 de 10 pessoas, com um óbito. Acredita-se que, com o avanço da doença, esse número pode crescer, pressionando a rede existente.

Esperamos que as previsões não se concretizem, mas e no caso de se tornarem realidade? Ora, os números nos sugerem que, certamente, o atendimento da população enfrentará grande dificuldade, penalizando doentes e seus familiares e médicos e outros membros das equipes multiprofissionais. Talvez, o drama seria menor se os sucessivos governos tivessem assegurado a prioridade necessária à área da saúde, fazendo investimentos na qualificação da rede pública.

Mas não se vive de passado. Na verdade, temos que pensar no presente, que exige estratégias imediatas para fazer frente ao inimigo invisível que é o coronavírus e sua manifestação, a COVID-19. Temos a convicção de que essa crise será superada, mas, desde já, reiteramos um alerta: o futuro já nos cobra por respostas para que uma outra situação desse tipo não deixe o rondoniense tão inseguro e fragilizado. Agora é o tempo de começar a planejar e trabalhar por uma melhor assistência para a população do Estado.

*Diretor-tesoureiro do Conselho Federal de Medicina; pós-doutor e doutor em Bioética






Mais notícias sobre cidades de Rondônia

Orgulho do Madeira está perto de ganhar nova unidade de saúde

Estrutura vai atender mais de 16 mil moradores e desafogar UPAs e policlínicas         A nova USF Orgulho do Madeira está na reta final e deve...

Jean Oliveira renova mandato e chega ao quinto ciclo na Assembleia...

A experiência acumulada ao longo de sua trajetória política foi novamente reconhecida nas urnas. Jean Oliveira foi reeleito deputado estadual de Rondônia nas eleições...

Cláudia de Jesus é reeleita e amplia presença do PT na...

A deputada estadual Cláudia de Jesus (PT) foi reeleita para a Assembleia Legislativa de Rondônia nas Eleições 2026, garantindo a continuidade de seu mandato...

Laerte Gomes lidera votação e 16 deputados são reeleitos para a...

PL conquista a maior bancada, com sete cadeiras, enquanto oito novos nomes passam a integrar a composição parlamentar a partir de 2027   A Assembleia Legislativa...

Pedido de Gedeão Negreiros é atendido e EMEF Bohemundo Alvares Afonso passa a contar com coleta de lixo regular

Atendendo à solicitação do parlamentar junto à SEMUSB, o serviço beneficia alunos e servidores da unidade rural na Estrada dos Periquitos, encerrando o acúmulo...












































[wpcm_video_play id="555133"]