Da Redação — Um episódio de violência na República Democrática do Congo resultou na fuga em massa de dez indivíduos infectados por ebola, além de médicos e enfermeiros, que abandonaram uma unidade de saúde após uma invasão violenta na última quarta-feira (15). O tumulto foi desencadeado pelo falecimento de uma gestante durante o parto no hospital. Por conta dos protocolos rígidos impostos pelo surto de ebola, a paciente, que apresentava um quadro severo de anemia, ficou impossibilitada de passar por transfusões de sangue. Em resposta, familiares e moradores da região atacaram a estrutura médica utilizando pedaços de madeira e pedras.
O caso acendeu um alerta vermelho para as autoridades sanitárias. Como o vírus possui alto potencial de letalidade e se espalha com extrema facilidade, a fuga dos doentes representa um risco grave de propagação em massa. Apesar do perigo real, as equipes médicas e os órgãos governamentais enfrentam forte resistência e ceticismo por parte dos habitantes locais. Em decorrência do ocorrido, as Forças Armadas do país instauraram um inquérito para apurar a depredação, embora manifestações violentas dessa natureza venham se repetindo com frequência no território.
As dimensões reais da crise de saúde pública podem ser ainda mais alarmantes do que os dados oficiais revelam. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que as contaminações reais superem as notificações oficiais em duas a quatro vezes. As estatísticas atuais apontam 2.073 diagnósticos confirmados e 796 óbitos decorrentes da doença desde o início do surto, em maio, configurando um cenário que a OMS classifica como potencialmente o mais destrutivo já registrado na história. A província de Ituri é o epicentro da crise, concentrando cerca de 90% das ocorrências.
O controle epidemiológico é dificultado pelas características biológicas do vírus em circulação. O surto vigente é provocado pela cepa Bundibugyo, um tipo de ebola que não possui tratamentos terapêuticos ou imunizantes homologados pela ciência até o momento, apresentando uma taxa de mortalidade que oscila entre 30% e 50%. A transmissão do patógeno ocorre essencialmente pelo contato imediato com fluidos corporais, secreções ou sangue de indivíduos e animais contaminados, além de superfícies que retêm o vírus ou o manejo direto de cadáveres de vítimas da infecção.










































