Da Redação — O Brasil está entre os países que ampliaram a cobertura vacinal infantil nos últimos anos, mas o cenário mundial ainda preocupa. Dados divulgados nesta quarta-feira (15) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Unicef mostram que 13,5 milhões de bebês não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025.
No Brasil, o número de crianças classificadas como “zero-dose” — aquelas que não receberam qualquer imunizante no primeiro ano — caiu para cerca de 50 mil. Apesar do avanço, a cobertura da terceira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP-3) permanece em 86%, abaixo do ideal. O relatório também destaca que o país não realiza, há cinco anos, um levantamento independente para validar os dados oficiais de vacinação, procedimento recomendado pela OMS e pelo Unicef.
Em nível global, a recuperação da vacinação infantil perdeu ritmo após a pandemia de Covid-19. Além dos 13,5 milhões de crianças sem nenhuma dose, outras 7,3 milhões não completaram o esquema básico da vacina DTP. Ao mesmo tempo, 116 milhões de bebês receberam pelo menos a primeira aplicação, um aumento de 750 mil em relação a 2024.
O sarampo continua entre as maiores preocupações das autoridades de saúde. Embora 84% das crianças recebam a primeira dose da vacina, apenas 77% completam o esquema com a segunda aplicação, percentual inferior aos 95% considerados necessários para evitar surtos. Em 2025, a doença provocou mais de 411 mil casos em 57 países.
Segundo o levantamento, mais da metade das crianças sem vacinação vive em regiões afetadas por pobreza extrema, conflitos ou deslocamentos forçados. Já em países de renda média e alta, a hesitação vacinal e falhas nos sistemas de saúde também têm contribuído para a redução da cobertura.
O relatório ainda alerta que cortes no financiamento internacional e a queda no número de pesquisas nacionais sobre imunização podem dificultar o monitoramento e os avanços da vacinação infantil nos próximos anos.









































