
Da Redação — As discussões sobre redução da jornada de trabalho ganharam força no Congresso Nacional ao mesmo tempo em que dados do IBGE mostram um cenário diferente para milhões de brasileiros que atuam sem vínculo empregatício formal. Entre eles, os trabalhadores por conta própria registram as maiores cargas horárias do país.
Segundo a Pnad Contínua do primeiro trimestre de 2026, esse grupo trabalha, em média, 45 horas por semana — número acima do observado entre empregados do setor público e privado, cuja média ficou em 39,6 horas. Entre todos os ocupados, o índice foi de 39,2 horas.
O levantamento aponta que 25,9 milhões de brasileiros atuam por conta própria, representando pouco mais de um quarto da população ocupada. Nessa categoria entram profissionais que mantêm o próprio negócio sem empregados, como motoristas e entregadores de aplicativo.
De acordo com o analista William Kratochwill, trabalhadores contratados tendem a seguir limites próximos aos previstos na legislação trabalhista, mesmo quando atuam sem carteira assinada. Já quem trabalha de forma independente acaba assumindo jornadas maiores por não conseguir dividir funções.
Os empregadores, por outro lado, tiveram média inferior à dos empregados, com 37,6 horas semanais. Para o pesquisador, a possibilidade de delegar tarefas ajuda a explicar essa diferença.
A pesquisa também identificou que trabalhadores auxiliares familiares — pessoas que ajudam parentes em atividades econômicas sem remuneração — tiveram média de 28,8 horas por semana.
Os números surgem em meio às propostas que discutem a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e mudanças no modelo de escala 6×1. Projetos sobre o tema seguem em análise no Congresso.








































