Sábado-24 de outubro de 2026 - Email: [email protected]

Inverno amazônico aumenta risco de doenças respiratórias e infecções em Rondônia


Dados recentes apontam circulação simultânea de vírus como Covid-19, influenza e rinovírus; especialista alerta para risco de aumento nas internações

 

O inverno amazônico já começa a impactar os indicadores de saúde em Rondônia. Dados da Secretaria de Estado da Saúde, com base no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), mostram crescimento nas notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em meio ao período de chuvas intensas e alta umidade.

 

Entre 23 de fevereiro e 1º de março de 2025, o estado registrou 262 notificações de SRAG. Desses casos, 114 (43,5%) tiveram confirmação laboratorial para vírus respiratórios.

 

O SARS-CoV-2 lidera as confirmações, com 63 casos (55,3%). Em seguida aparecem rinovírus (18 casos), Influenza A (7), Influenza B (2) e vírus sincicial respiratório (1). Outros vírus também foram identificados em menor proporção, indicando circulação simultânea de diferentes agentes.

 

*Clima e aglomeração favorecem transmissão*

 

Segundo o biomédico e professor Rodrigo Franco, docente do IDOMED, o inverno amazônico cria um ambiente propício para a disseminação de vírus respiratórios.

 

“O aumento das chuvas e da umidade faz com que as pessoas permaneçam mais tempo em ambientes fechados. Isso facilita a transmissão de vírus como influenza, coronavírus e vírus sincicial respiratório”, explica.

 

De acordo com o professor, a coincidência do período chuvoso com eventos de grande circulação de pessoas, como o Carnaval, pode potencializar o cenário.

 

“Quando somamos aglomerações com condições climáticas que favorecem a permanência em locais fechados, criamos um ambiente ideal para a disseminação desses vírus”, afirma.

 

Ele também destaca que oscilações de temperatura e exposição prolongada à umidade podem impactar temporariamente a imunidade, favorecendo quadros virais após períodos festivos.

 

*Dados funcionam como alerta*

 

Para o docente, o monitoramento das notificações é essencial para antecipar medidas de prevenção.

 

“As notificações de SRAG funcionam como um alerta precoce. Elas permitem identificar quais vírus estão circulando e prepara o sistema de saúde para possíveis aumentos nas hospitalizações”, diz.

 

Boletins do Ministério da Saúde e da Fiocruz apontam que a região Norte costuma registrar crescimento nas internações por doenças respiratórias durante o período chuvoso.

 

*Grupos mais vulneráveis*

 

Os grupos mais suscetíveis a complicações são idosos, crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

 

Segundo o professor, idosos apresentam resposta imunológica mais lenta, enquanto crianças ainda estão com o sistema imunológico em desenvolvimento. Já gestantes passam por alterações fisiológicas que aumentam a vulnerabilidade a complicações respiratórias.

 

*Como se proteger*

 

Especialistas recomendam manter a vacinação em dia, especialmente contra influenza e Covid-19, higienizar as mãos com frequência, evitar ambientes fechados e procurar atendimento médico em caso de sintomas como febre persistente, falta de ar ou agravamento do quadro gripal.

 

Com a combinação entre inverno amazônico e eventos de grande circulação de pessoas, autoridades reforçam que a prevenção é fundamental para reduzir internações e complicações no estado.






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