Da Redação — Uma tecnologia baseada em laser, usada até em missões espaciais da Nasa, está começando a ganhar espaço no agronegócio brasileiro para analisar solos com mais rapidez e precisão.
O avanço faz parte das pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, por meio do Laboratório Nacional de Agrofotônica (Lanaf), ligado à Embrapa Instrumentação.
A proposta é utilizar diferentes tipos de luz e radiações eletromagnéticas para identificar, em tempo real, características químicas do solo, das plantas e até de alimentos.
Na prática, a tecnologia ajuda produtores a descobrir exatamente onde há falta ou excesso de nutrientes na lavoura, permitindo aplicação mais precisa de fertilizantes e redução de desperdícios.
Entre as ferramentas estudadas está a técnica chamada LIBS, sigla em inglês para espectroscopia induzida por plasma a laser. O método funciona com disparos de laser sobre amostras de solo. A reação gera um plasma que emite luz, analisada depois pelos pesquisadores para identificar os elementos químicos presentes.
Com isso, é possível criar mapas detalhados da composição do solo, incluindo níveis de carbono, magnésio e manganês.
Segundo a pesquisadora Débora Milori, da Embrapa Instrumentação, a fotônica aplicada ao agro vem crescendo rapidamente nos últimos anos e já apresenta usos importantes para monitoramento ambiental e aumento da produtividade agrícola.
Além da análise de nutrientes, a tecnologia também pode ser usada no diagnóstico precoce de doenças em plantas, avaliação da qualidade de sementes e frutas e em projetos ligados a crédito de carbono.
Apesar de hoje estar associada à inovação no campo, a técnica começou a ser desenvolvida ainda nos anos 1960, junto com o avanço dos lasers. Décadas depois, ganhou notoriedade ao ser utilizada pela National Aeronautics and Space Administration em missões de exploração em Marte para estudar rochas e solos do planeta.
Inspirados nessa aplicação espacial, pesquisadores brasileiros iniciaram estudos voltados aos solos tropicais em meados de 2005.
Agora, a expectativa é ampliar o uso da tecnologia diretamente nas propriedades rurais. Para isso, a Embrapa já firmou parceria com a iniciativa privada para expandir o uso da técnica no país.
Os pesquisadores também apostam que os avanços das tecnologias quânticas podem acelerar ainda mais o desenvolvimento da chamada agrofotônica nos próximos anos.










































