Da Redação — A cobrança sobre compras internacionais de baixo valor, conhecida como “taxa das blusinhas”, voltou ao centro do debate dentro do governo federal. Enquanto a área econômica defende a medida como instrumento de proteção à indústria nacional e de arrecadação, integrantes da ala política pressionam pela revisão da regra diante do desgaste gerado junto à população.
A avaliação dentro do Ministério da Fazenda é de que a taxação, além de gerar receita, ajuda a equilibrar a concorrência com o mercado interno. Mesmo assim, o próprio governo reconhece que o tema é sensível e tem impacto negativo na percepção popular, algo já identificado em levantamentos qualitativos internos.
Por outro lado, há divergências dentro da própria base governista. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira (16) que a medida contribuiu para o desgaste político da atual gestão e defendeu sua revogação.
O impasse não é recente. Em momentos anteriores, setores ligados à articulação política já tentaram retomar a discussão, que ganha força novamente em meio à busca do governo por sinalizações com foco eleitoral.
Outro ponto de tensão envolve os impactos sobre os Correios. A gestão anterior da estatal defendia o fim da cobrança, argumentando que a medida teria agravado a situação financeira da empresa. Esse posicionamento chegou a ter respaldo de parte do Palácio do Planalto.
Atualmente, a regra estabelece cobrança de 20% para compras internacionais de até US$ 50, percentual em vigor desde agosto do ano passado. Para valores entre US$ 50 e US$ 3 mil, a alíquota é de 60%, com desconto fixo de US$ 20 no imposto total.
Em termos financeiros, o governo teria arrecadado cerca de R$ 1 bilhão com a taxação ao longo de 2024. Em contrapartida, os Correios estimaram, em abril, uma perda de R$ 2,2 bilhões associada às mudanças no fluxo de encomendas.
A reação do mercado internacional também entrou no radar. Empresas estrangeiras passaram a investir em estruturas logísticas próprias no Brasil, incluindo o aluguel de espaços em aeroportos para assumir etapas que antes eram realizadas majoritariamente pelos Correios, como a triagem e a internalização das mercadorias.








































