Da Redação — O modelo de “tarifa zero” no transporte público segue em expansão no Brasil, mas já acende um alerta vermelho em algumas regiões. Atualmente, 143 municípios brasileiros oferecem passagens de ônibus totalmente gratuitas, de acordo com um levantamento da Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU). No entanto, a falta de planejamento técnico fez com que oito prefeituras recuassem e abandonassem a prática por inviabilidade financeira.
As cidades que adotaram o passe livre, mas precisaram voltar atrás e retomar a cobrança da passagem são:
- São Paulo: Jaboticabal, Monte Mor, Paulínia e Pirapora do Bom Jesus
- Paraná: Tijucas do Sul e Ubiratã
- Piauí: Picos
- Rio de Janeiro: Porto Real
Decisões políticas vs. Critérios técnicos
Em entrevista ao Jornal da Record News, o diretor técnico da NTU, Matteus Freitas, explicou que o fracasso da medida nessas localidades está diretamente ligado à falta de estudos preliminares.
“Isso aconteceu porque as decisões pela implementação da medida foram decisões essencialmente políticas e não baseadas em critérios técnicos. Não identificamos nessas cidades a realização de diagnósticos, de estudo e também de planejamento no sentido da construção de uma política de financiamento específica para o transporte público coletivo”, destacou Freitas.
O desafio do “boom” na demanda
Segundo a NTU, o principal erro das gestões que falharam foi não prever o impacto imediato da gratuidade no dia a dia do transporte. Quando a passagem passa a ser gratuita, o volume de passageiros dispara.
Para absorver esse aumento significativo de usuários, as prefeituras são obrigadas a colocar mais ônibus nas ruas e aumentar a oferta de viagens. Sem um fundo de reserva ou uma política de financiamento sólida e bem estruturada, o custo do sistema inflaciona rapidamente, tornando o projeto insustentável para os cofres públicos.










































