Da Redação — O destino do futebol reservou uma coincidência mística para os argentinos. Exatamente 40 anos depois de Diego Maradona assombrar o planeta com o gol da “mão de Deus” contra a Inglaterra, no Estádio Azteca em 1986, o futebol coroou um novo rei absoluto dos Mundiais masculinos. Nesta segunda-feira (22), em Dallas, Estados Unidos, Lionel Messi balançou as redes duas vezes na vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Áustria, isolando-se como o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. O craque de 38 anos, que começou a partida empatado com o alemão Miroslav Klose com 16 gols, alcançou a incrível marca de 18 gols na história do torneio, assumindo também a artilharia da edição de 2026 com quatro gols anotados.
O triunfo no Texas carimbou matematicamente a classificação antecipada dos atuais campeões do mundo para o mata-mata. Além disso, Messi enfileirou outros recordes assombrosos: completou seis jogos seguidos balançando as redes em Copas — igualando-se aos lendários Just Fontaine (158) e Jairzinho (1970) — e isolou-se como o atleta com mais vitórias na história do torneio (18 triunfos contra 17 de Klose).
Do pênalti na trave à consagração no primeiro tempo
A exibição histórica em Dallas ganhou contornos dramáticos logo no início. O técnico Lionel Scaloni promoveu apenas a entrada de Nahuel Molina na lateral, enquanto a Áustria de Ralf Rangnick mudou três peças para sufocar os sul-americanos. Aos oito minutos de jogo, o VAR apontou um corte faltoso de Posch em Lautaro Martínez. Messi assumiu a cobrança do pênalti, mas, em um erro raríssimo, demorou a definir o canto e mandou a bola para fora, à esquerda do goleiro Schalger.
O susto animou a forte marcação sob pressão dos austríacos, obrigando o zagueiro David Alaba a salvar duas chances claras de Messi aos 18 e aos 30 minutos. Mas a genialidade do camisa 10 rompeu o bloqueio aos 38: em um contragolpe fulminante, Facundo Medina cruzou rasteiro pela esquerda, Thiago Almada aplicou um corta-luz genial deixando a bola passar por entre as pernas, e Messi bateu de primeira, no contrapé de Schalger, inaugurando o placar e escrevendo seu nome no topo da história.
O gol derradeiro e o desenho estratégico do Grupo J
A segunda etapa teve um ritmo mais cadenciado e físico. A Áustria assustou aos nove minutos em cobrança de falta de Marcel Sabitzer — que celebrava sua centésima partida pela seleção europeia —, exigindo uma grande defesa de Dibu Martínez. A Argentina respondeu em cabeçada perigosa de Nico González após cruzamento de falta de Messi. Quando o confronto parecia desenhado para o 1 a 0, já nos acréscimos, Julián Álvarez finalizou e Schalger deu rebote. Leandro Paredes dominou e rolou na medida para Messi, que se desvencilhou da marcação e chutou prensado para estufar as redes, selar o placar de 2 a 0 e garantir os seis pontos da liderança do Grupo J.
A chave dos hermanos terá o encerramento da rodada com o duelo entre Jordânia e Argélia a partir da meia-noite (horário de Brasília), na Califórnia. A Áustria estaciona nos três pontos. Na rodada final, a Argentina defende a ponta da tabela contra a Jordânia no próximo sábado (27), às 23h, novamente em Dallas, enquanto no mesmo dia e horário austríacos e argelinos decidem a vaga em Kansas City.










































