Da Redação – Depois de cruzar dez cidades, lotar escolas e puxar rodas de história nas periferias amazônicas, a macaquinha mais curiosa da floresta não se despede: ela muda de formato. A Jornada Literária de Nina Macaca pelas Periferias Amazônicas encerrou sua circulação presencial por Rondônia e, agora, abre um novo capítulo — digital, gratuito e para todo mundo. A fábula amazônica escrita pelo autor e multiartista Édier William passa a estar disponível em audiolivro, videobook e e-book, reunidos em uma plataforma online aberta ao público.
O conteúdo já pode ser acessado no site ninamacaca.com.br, lançado pelo projeto para garantir que a história continue viajando mesmo depois do fim do circuito. A iniciativa tem patrocínio da CAIXA, via Lei Rouanet Norte, com produção da Arte Líquida e realização do Ministério da Cultura e Governo do Brasil.
“Concluir esta jornada é perceber que a literatura alcançou muito mais do que esperávamos”, diz Édier William, idealizador do projeto. “Ver dez cidades abraçarem Nina Macaca, acompanhar o brilho nos olhos das crianças e oferecer mais de 1.500 livros gratuitamente é uma experiência transformadora. A partir de agora, com todos os produtos disponíveis online, esperamos que essa história continue viajando, criando pontes entre a imaginação, a floresta e o coração das pessoas.”
Dez cidades, uma floresta de leitores
A jornada percorreu Porto Velho, Candeias do Jamari, Itapuã do Oeste, Ariquemes, Ji-Paraná, Jaru, Cacoal, Vilhena, Nova Mamoré e Guajará-Mirim. Em cada parada, o projeto promoveu ações gratuitas de lançamento do livro, contação de histórias e oficinas de escrita criativa, reunindo centenas de crianças, educadores e comunidades que muitas vezes ficam fora do mapa dos grandes eventos culturais.
Não foi só uma turnê literária: foi ocupação simbólica. Onde costuma faltar biblioteca, sobrou curiosidade. Onde a arte chega raramente, ela chegou inteira — com livro na mão, história na voz e oficina na prática.
A diferença como força
A obra acompanha Nina, uma macaquinha que aprende a transformar a diferença em potência. A moral se costura com a própria proposta do projeto: levar literatura amazônica para quem quase nunca recebe literatura amazônica como protagonista. Ao migrar agora para o digital, a história amplia alcance sem perder as raízes.
O objetivo da iniciativa, segundo a organização, foi estimular o prazer da leitura, fortalecer a cultura literária regional e ampliar o acesso à arte e à imaginação, sobretudo em territórios periféricos e escolas públicas distantes dos circuitos tradicionais.
Do papel ao play
O novo site funciona como uma espécie de “biblioteca viva” do projeto. Quem não conseguiu assistir às ações presenciais passa a ter acesso a tudo o que foi criado:
Audiolivro, para ouvir a fábula com a cadência da oralidade amazônica;
Videobook, que soma texto e imagem em linguagem audiovisual;
E-book, para baixar e ler onde quiser.
A jornada terminou na beira do rio. Mas Nina Macaca, ao que tudo indica, encontrou outro caminho: o das telas que viram portas, não muros. E se depender da macaquinha — e das crianças que ela encontrou pelo caminho — essa história ainda tem muita mata para atravessar.









































