Terça-feira-29 de setembro de 2026 - Email: [email protected]

Livro propõe olhar simbólico sobre o Rio Madeira e a alma da Amazônia


Um olhar atento para o Rio Madeira revela mais do que um dos principais rios da Amazônia. Revela histórias, mitos, conflitos e modos de vida que ajudam a compreender a relação entre o ser humano e a natureza. Essa é a proposta do psicólogo e analista junguiano Paulo Alberto Ferreira Neto no livro O Rio Madeira: Alma que Corre dos Andes ao Amazonas – Explorando a Conexão Profunda entre Natureza e Psique.

Inspirado na Psicologia Analítica de Carl Jung, o autor convida o leitor a perceber a natureza como uma entidade viva, portadora de memória, significado e dimensão simbólica. Ao percorrer, de forma metafórica, o curso do Rio Madeira, a obra apresenta o rio como espelho da própria Amazônia, marcada por resistências, transformações, encantos e feridas que também atravessam a experiência humana.

Capa do livro O Rio Madeira: Alma que Corre dos Andes ao Amazonas

Com uma escrita que articula vivência pessoal, pesquisa histórica e reflexão teórica, o livro propõe compreender o Rio Madeira como expressão da anima mundi, a “alma do mundo”. A partir dessa perspectiva, Paulo Alberto defende uma escuta mais sensível da natureza e sustenta que o sofrimento humano não está dissociado das marcas deixadas no meio ambiente.

Ao longo da obra, o autor dialoga com temas contemporâneos, como a crise climática, o avanço de grandes empreendimentos sobre os rios amazônicos e os impactos dessas ações sobre os modos de vida locais. O Rio Madeira surge, assim, como símbolo das tensões entre desenvolvimento econômico, exploração dos recursos naturais e cuidado com a vida.

“O livro apresenta uma visão sensível sobre a relação entre o ser humano e o meio ambiente, propondo uma escuta da natureza como caminho de cura e reconexão. A sabedoria dos rios e da floresta ensina sobre equilíbrio, respeito e pertencimento”, afirma o autor.

A obra valoriza ainda os saberes dos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais que vivem às margens do Rio Madeira e mantêm viva a memória simbólica do rio. Esses grupos são apresentados como guardiões de conhecimentos ancestrais, capazes de ensinar formas mais equilibradas de convivência com a natureza.

Além da reflexão simbólica, o livro se apresenta como um convite ético e coletivo à responsabilidade ambiental. Ao reconhecer o rio como um ser vivo, o leitor é instigado a repensar suas escolhas e a forma como se relaciona com a Amazônia e com o planeta.

Imagem ilustrativa do Rio Madeira

Sobre o autor

Paulo Alberto Ferreira Neto é doutorando no Programa de Psicossociologia e Ecologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Rondônia (Unir). É membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA-RJ), filiada à International Association for Analytical Psychology (IAAP). Atua como psicólogo clínico e é servidor público do Estado de Rondônia.

Com linguagem poética e rigor conceitual, o autor propõe uma reflexão contemporânea e urgente sobre a alma da Amazônia e sobre a necessidade de reconectar o ser humano à vida que pulsa nas águas, nas florestas e em si mesmo.

Fonte: Cammy Limma






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