Da Redação — Especialistas em segurança digital acendem um alerta sobre o universo dos jogos online: além dos riscos já conhecidos envolvendo exposição de crianças e adolescentes a golpes e assédio, essas plataformas também podem funcionar como porta de entrada para a criminalidade virtual.
Segundo o delegado pernambucano Sérgio Luiz Oliveira do Santos, que atua no combate a crimes cibernéticos e pesquisa cibersegurança no CESAR, muitos jovens iniciam nesse meio tentando obter vantagens ilegais dentro dos próprios games. Com o tempo, parte deles acaba migrando para práticas mais sofisticadas, incluindo fraudes financeiras.
A lógica, de acordo com o especialista, costuma seguir um caminho gradual. Primeiro surgem tentativas de trapacear partidas ou piratear sistemas. Depois, alguns passam a lucrar com invasões de contas, venda ilegal de itens virtuais e aplicação de golpes digitais.
Jogos com comércio interno ajudam a alimentar esse cenário. Em muitos títulos, acessórios, “skins”, habilidades e itens raros possuem alto valor de mercado, movimentando negociações entre jogadores. Esse ambiente favorece roubos de contas, golpes e até ataques hackers para obtenção desses recursos digitais.
Mesmo com a familiaridade tecnológica dessa geração, o delegado explica que muitos criminosos virtuais operam com conhecimentos limitados. Em vez de desenvolver sistemas complexos, eles costumam utilizar ferramentas prontas adquiridas em fóruns clandestinos da internet, como kits de phishing e programas maliciosos.
As investigações, porém, ainda conseguem identificar muitos desses autores devido aos rastros deixados online. Falhas ao esconder endereços digitais, uso inadequado de softwares e a ostentação nas redes sociais acabam facilitando o trabalho policial.
O debate ganha força em um momento de crescimento acelerado do setor gamer no Brasil. Plataformas de comunicação voltadas aos jogos acumulam milhões de usuários no país, principalmente entre jovens, que enxergam os games não apenas como diversão, mas também como espaço de convivência social.
Para especialistas, o acompanhamento dos pais segue sendo essencial. O monitoramento da rotina digital de crianças e adolescentes pode ajudar a identificar aproximações suspeitas, conteúdos inadequados e até sinais de envolvimento com atividades ilegais no ambiente virtual.









































