Da Redação — Com o objetivo de associar a prática esportiva à qualidade de vida da população, as Nações Unidas (ONU) pretendem utilizar a Copa do Mundo como plataforma para incentivar a saúde mental. Nesta sexta-feira (17), o Escritório da Juventude da organização promove um encontro sobre o assunto em sua sede em Nova York, nos Estados Unidos.
Batizado de “Um Mundo, Um Jogo, Um Objetivo: O Futebol como um Catalisador para a Saúde Mental e Bem-Estar da Juventude”, o evento do grupo ONU Amigos do Futebol junta representantes governamentais, a sociedade civil, o ambiente corporativo e as novas gerações para debater estratégias que unam o esporte ao cuidado mental.
A iniciativa baseia-se em dados de um levantamento da ONU, o qual revelou que 14% das pessoas na faixa dos 10 aos 19 anos convivem com algum transtorno psíquico. O documento também aponta um crescimento recente nos casos de depressão entre o público jovem.
De acordo com a ONU News, o mesmo estudo indicou que modalidades coletivas ajudam a reduzir os índices de ansiedade e depressão globalmente, embora muitos jovens ainda encontrem obstáculos para praticá-las de forma efetiva. A meta é aproveitar o potencial do futebol para gerar senso de comunidade, inclusão e superação pessoal, fatores essenciais para o equilíbrio emocional.
Gênero e o Mundial no Brasil
De olho no Mundial Feminino de 2027, sediado no Brasil, o coordenador do painel nos EUA defende que a pauta central do torneio seja o enfrentamento à violência de gênero.
“Hoje é a saúde mental, amanhã na Copa do Mundo Feminina no Brasil, por exemplo, precisa ser a questão de gênero. Um país como o nosso, que tem o índice de feminicídio que nós temos, não pode receber a Copa do Mundo Feminina sem tratar dessa questão”, declarou Pedro Trengrouse, integrante da Fifa Master Alumni.
O Impacto das Apostas Online
Em território brasileiro, o uso excessivo das plataformas de apostas digitais (bets) vem sendo correlacionado à piora no bem-estar psicológico de diversos usuários, impulsionada pelo endividamento e por prejuízos financeiros.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) adverte que o engajamento emocional da Copa do Mundo pode ser instrumentalizado por essas plataformas. Um estudo da fintech Klavi, feito com 1,2 milhão de brasileiros via dados do Open Finance do Banco Central, apontou o envio de R$ 944 milhões para sites de apostas durante a atual competição — sendo R$ 17,9 milhões transferidos apenas na quinta-feira (16).
Segundo o Idec, competições esportivas de grande apelo emocional aumentam drasticamente o alcance da publicidade dessas empresas, impactando usuários recorrentes, novos públicos e grupos vulneráveis.
Diante do aumento na procura por suporte psicológico devido ao vício em jogos, o Sistema Único de Saúde (SUS) reforçou sua estrutura de teleatendimento.
Em nota oficial, o Ministério da Saúde ressaltou: “É importante reconhecer que, para algumas pessoas, a prática pode se tornar um problema e causar danos significativos na saúde física e mental, nas relações sociais e na vida financeira, comprometendo a qualidade de vida”.







































