Da Redação — Os Correios decidiram interromper temporariamente algumas medidas previstas no plano de reestruturação da estatal enquanto negociam com representantes dos trabalhadores. A suspensão, que vale até 31 de julho, foi adotada após a categoria sinalizar possibilidade de greve.
A decisão foi tomada durante uma reunião realizada na terça-feira (7) entre a direção dos Correios e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).
Entre os pontos retirados temporariamente da agenda estão o fechamento de agências, a implantação do Sistema de Dimensionamento da Distribuição (SDD) e mudanças relacionadas ao pagamento do Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e da quebra de caixa.
A implementação do SDD era uma das medidas que mais geravam insatisfação entre os carteiros, por isso se tornou um dos principais temas da mobilização dos trabalhadores. A suspensão foi apresentada como uma tentativa de reduzir o impasse e avançar nas negociações.
A estatal ainda enfrenta o desafio de reorganizar suas finanças. O plano de reestruturação foi elaborado como parte das medidas necessárias para garantir um empréstimo de R$ 12 bilhões obtido em dezembro de 2025, recurso destinado a auxiliar no reequilíbrio das contas diante dos déficits registrados nos últimos anos.
Mesmo com o financiamento, os Correios continuam buscando novas fontes de recursos para concluir o processo de recuperação financeira. A estimativa é que aproximadamente R$ 8 bilhões ainda precisem ser mobilizados.
O plano prevê uma série de ações para reduzir despesas e aumentar receitas, incluindo um programa de demissão voluntária que pode alcançar até 15 mil empregados, com previsão de 10 mil desligamentos em 2026 e outros 5 mil em 2027.
Também estão previstas a redução da estrutura física da empresa, com o fechamento de cerca de mil unidades em todo o país, e a ampliação de parcerias com o setor privado.
A suspensão anunciada nesta semana é temporária e não representa o encerramento do plano de reestruturação, que continua sendo avaliado pela estatal como uma estratégia para recuperar o equilíbrio financeiro dos Correios.










































