Quinta-feira-22 de outubro de 2026 - Email: [email protected]

A força do cooperativismo brasileiro Por João Spenthof* O cooperativismo brasileiro vive um momento de grande afirmação. Mais do que um modelo econômico alternativo, consolidou-se como uma das formas mais eficientes de organizar pessoas, gerar riqueza, distribuir resultados e promover desenvolvimento territorial. Segundo dados recentes do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, divulgado pelo Sistema OCB com data-base de 2025, o país reúne 29 milhões de associados — praticamente um em cada sete brasileiros — em 4.400 cooperativas, que somam R$ 1,6 trilhão em ativos e geraram R$ 61,3 bilhões em sobras. Esses números demonstram que o cooperativismo é um sistema empresarial robusto, competitivo e, ao mesmo tempo, profundamente comprometido com a inclusão. Sua principal diferença está no destino da riqueza gerada: nas cooperativas, os resultados retornam aos próprios associados e às comunidades onde são produzidos, fortalecendo economias locais, estimulando investimentos e ampliando oportunidades. Entre os diversos ramos, o cooperativismo de crédito ocupa papel estratégico. Com cerca de 23 milhões de associados e R$ 1,1 trilhão em ativos, as cooperativas financeiras tornaram-se uma força decisiva de inclusão e democratização do acesso ao sistema financeiro. Sua relevância é ainda maior porque estão presentes de forma exclusiva em 1.072 municípios brasileiros, onde não há outra instituição financeira com atendimento físico. Nesses locais, representam acesso a crédito, serviços financeiros, apoio ao empreendedorismo e fortalecimento das atividades produtivas. Um dos grandes diferenciais competitivos do cooperativismo é sua presença próxima, enraizada e comprometida com a realidade local. Enquanto muitos modelos concentram decisões e resultados em grandes centros, as cooperativas nascem das necessidades das pessoas e permanecem vinculadas aos territórios onde atuam. A governança democrática, baseada no princípio de “uma pessoa, um voto”, assegura que as decisões sejam orientadas pelo interesse coletivo. Outro diferencial é a capacidade de combinar desempenho econômico com impacto social. As cooperativas competem, inovam, investem em tecnologia e entregam produtos e serviços de qualidade, mas preservam uma lógica de pertencimento: o cooperado é cliente, dono e beneficiário dos resultados. Essa condição transforma usuários em protagonistas e distribui de forma mais equilibrada os ganhos gerados pela atividade econômica. Em um país de dimensões continentais e profundas desigualdades regionais, o cooperativismo representa uma arquitetura de desenvolvimento mais equilibrada. Ele mantém recursos nas comunidades, estimula a poupança local, promove educação financeira, fortalece pequenos negócios e amplia a cidadania econômica. Sua atuação no campo, na saúde, no transporte, na infraestrutura, no consumo, no trabalho e no crédito demonstra a diversidade e a força de um movimento que conecta produtividade, inclusão, sustentabilidade e compromisso comunitário. Portanto, falar da força do cooperativismo brasileiro é reconhecer um modelo que gera valor onde o valor nasce: nas pessoas, nas comunidades e nos territórios. Seus números revelam grandeza econômica; sua essência revela propósito social. O cooperativismo mostra, na prática, que desenvolvimento verdadeiro é aquele que inclui, distribui, permanece e fortalece a sociedade brasileira. *João Carlos Spenthof é presidente da Central Sicredi Centro Norte e vice-presidente da OCB-MT.


Por João Spenthof*

O cooperativismo brasileiro vive um momento de grande afirmação. Mais do que um modelo econômico alternativo, consolidou-se como uma das formas mais eficientes de organizar pessoas, gerar riqueza, distribuir resultados e promover desenvolvimento territorial. Segundo dados recentes do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, divulgado pelo Sistema OCB com data-base de 2025, o país reúne 29 milhões de associados — praticamente um em cada sete brasileiros — em 4.400 cooperativas, que somam R$ 1,6 trilhão em ativos e geraram R$ 61,3 bilhões em sobras.

 

 

 

Esses números demonstram que o cooperativismo é um sistema empresarial robusto, competitivo e, ao mesmo tempo, profundamente comprometido com a inclusão. Sua principal diferença está no destino da riqueza gerada: nas cooperativas, os resultados retornam aos próprios associados e às comunidades onde são produzidos, fortalecendo economias locais, estimulando investimentos e ampliando oportunidades.

 

 

 

Entre os diversos ramos, o cooperativismo de crédito ocupa papel estratégico. Com cerca de 23 milhões de associados e R$ 1,1 trilhão em ativos, as cooperativas financeiras tornaram-se uma força decisiva de inclusão e democratização do acesso ao sistema financeiro. Sua relevância é ainda maior porque estão presentes de forma exclusiva em 1.072 municípios brasileiros, onde não há outra instituição financeira com atendimento físico. Nesses locais, representam acesso a crédito, serviços financeiros, apoio ao empreendedorismo e fortalecimento das atividades produtivas.

 

 

 

Um dos grandes diferenciais competitivos do cooperativismo é sua presença próxima, enraizada e comprometida com a realidade local. Enquanto muitos modelos concentram decisões e resultados em grandes centros, as cooperativas nascem das necessidades das pessoas e permanecem vinculadas aos territórios onde atuam. A governança democrática, baseada no princípio de “uma pessoa, um voto”, assegura que as decisões sejam orientadas pelo interesse coletivo.

 

 

 

Outro diferencial é a capacidade de combinar desempenho econômico com impacto social. As cooperativas competem, inovam, investem em tecnologia e entregam produtos e serviços de qualidade, mas preservam uma lógica de pertencimento: o cooperado é cliente, dono e beneficiário dos resultados. Essa condição transforma usuários em protagonistas e distribui de forma mais equilibrada os ganhos gerados pela atividade econômica.

 

 

 

Em um país de dimensões continentais e profundas desigualdades regionais, o cooperativismo representa uma arquitetura de desenvolvimento mais equilibrada. Ele mantém recursos nas comunidades, estimula a poupança local, promove educação financeira, fortalece pequenos negócios e amplia a cidadania econômica. Sua atuação no campo, na saúde, no transporte, na infraestrutura, no consumo, no trabalho e no crédito demonstra a diversidade e a força de um movimento que conecta produtividade, inclusão, sustentabilidade e compromisso comunitário.

 

 

 

Portanto, falar da força do cooperativismo brasileiro é reconhecer um modelo que gera valor onde o valor nasce: nas pessoas, nas comunidades e nos territórios. Seus números revelam grandeza econômica; sua essência revela propósito social. O cooperativismo mostra, na prática, que desenvolvimento verdadeiro é aquele que inclui, distribui, permanece e fortalece a sociedade brasileira.

 

 

 

*João Carlos Spenthof é presidente da Central Sicredi Centro Norte e vice-presidente da OCB-MT.

 






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