Segunda-feira-21 de setembro de 2026 - Email: [email protected]

Quando o clima assume o comando: por que a previsão do tempo passou a orientar a operação das distribuidoras de energia


Os impactos do El Niño aceleram a transformação das concessionárias do Grupo Energisa, que passam a integrar meteorologia, ciência de dados, inteligência artificial, gestão de risco e comunicação de crise à rotina operacional

 

A operação de uma distribuidora de energia começa muito antes de qualquer ocorrência em campo. Ela resulta de um planejamento contínuo que envolve monitoramento da rede, gestão de ativos, inteligência operacional e preparação das equipes. Nesse cenário, a previsão do tempo tornou-se uma variável estratégica crucial. Diante de eventos climáticos cada vez mais intensos, as distribuidoras do Grupo Energisa — presentes em onze estados — vêm aprimorando seus modelos de prontidão com meteorologia, ciência de dados, inteligência artificial, protocolos de contingência e comunicação de crise.

 

Esse aperfeiçoamento reflete a crescente influência do clima sobre o sistema elétrico. Entre 2023 e 2025, uma parcela significativa das ocorrências nas concessões do Grupo esteve relacionada a fenômenos climáticos, sendo que cerca de 60% delas foram causadas por raios.

 

Essa integração climática não é novidade: há anos a Energisa considera riscos meteorológicos em seus planos de contingência. Contudo, diante da severidade das ocorrências recentes, o trabalho ganhou ferramentas robustas de monitoramento e antecipação. Alertas meteorológicos, históricos de danos, mapas de vegetação e áreas expostas a ventos, queimadas ou alagamentos fundamentam ações como reforço de equipes, deslocamento preventivo de materiais, manutenções prioritárias e comunicação antecipada com clientes e autoridades.

 

“O clima passou a ser uma variável crítica para a operação do sistema elétrico. Hoje, as distribuidoras precisam antecipar cenários, monitorar riscos e responder rapidamente a eventos que podem afetar milhares de clientes em poucos minutos”, afirma Gioreli de Sousa Filho, vice-presidente de Redes do Grupo Energisa.

 

Essa adaptação exige respostas customizadas para cada região. No Centro-Oeste, o foco está na estiagem e queimadas; no litoral do Nordeste, na maresia e no calor severo. Na região Norte, provoca redução das chuvas e aumento das temperaturas, resultando em secas severas, queda no nível dos rios e maior risco de queimadas e incêndios florestais na Amazônia. Já no Sul, parte do Sudeste e parte do Centro-Oeste, mais sujeitos a tempestades e raios, a prioridade é reduzir o tempo de interrupção do fornecimento.

 

No Grupo Energisa, essa estratégia é coordenada por um Comitê Interfuncional composto por diversas áreas como Operação, Manutenção, Suprimentos, Logística e Comunicação, responsável por manter em funcionamento um Plano de Contingência Operacional, que inclui simulações para testar a prontidão de todas as áreas. Os Centros de Operação Integrada (COI), presentes em todas as unidades, ficam responsáveis por cruzar informações operacionais e meteorológicas em tempo real, mapeando potenciais vulnerabilidades, posicionando proativamente as equipes e organizando planos de ação antes mesmo da chegada de tempestades ou frentes frias. Em períodos de El Niño, a estrutura técnica e operacional é previamente ajustada e reforçada. O plano estratégico engloba uma série de medidas preventivas adicionais, que somam mais de 100 ações, incluindo a antecipação de manutenção e trocas de ativos na rede, remanejamento de carga, reforço no estoque de equipamentos e peças, e a intensificação dos canais de comunicação com o poder público.

 

“O desafio não é apenas restabelecer o fornecimento depois de um evento climático. É chegar antes, com equipes, protocolos e informações preparados para reduzir o impacto sobre a população. Quanto maior a capacidade de antecipação, mais eficiente é a resposta”, destaca Gioreli.

 

A integração entre tecnologia e campo também é vital durante as ondas de calor. Em períodos de temperaturas elevadas, o consumo dispara, pressionando a demanda e exigindo o monitoramento da rede em tempo real, sobretudo em grandes centros urbanos.

 

Se antes a confiabilidade do sistema dependia da robustez dos ativos físicos, hoje ela exige a capacidade de interpretar riscos e mobilizar recursos de forma coordenada. A resiliência é o resultado de combinar infraestrutura, inteligência de dados e agilidade operacional.

 

“Mais do que distribuir eletricidade, nosso desafio é combinar tecnologia, proximidade e transparência para garantir um sistema resiliente em um ambiente onde o clima se tornou central para a operação”, finaliza o VP de Redes.

 

 

 

 

 






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