Da Redação — Cientistas brasileiros descobriram que o treinamento de força pode provocar alterações no funcionamento do fígado que vão além dos benefícios já conhecidos da prática de exercícios físicos. A pesquisa identificou mudanças em mecanismos relacionados ao metabolismo do órgão e observou redução de alterações associadas à obesidade em um modelo experimental.
O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicado em novembro de 2025 na revista científica Life Sciences. Embora os experimentos tenham sido conduzidos exclusivamente com camundongos, os resultados ajudam a compreender como a musculação atua no organismo e podem orientar futuras pesquisas envolvendo seres humanos.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores utilizaram animais que desenvolveram obesidade após receberem uma alimentação rica em gordura. Em seguida, eles foram divididos em dois grupos. Apenas um deles participou de um programa de treinamento de força durante oito semanas, enquanto os demais permaneceram sem praticar exercícios.
Encerrado o período de treinamento, o fígado dos animais foi analisado para identificar possíveis mudanças provocadas pela atividade física. Entre os efeitos observados estava a melhora da resposta à insulina, hormônio responsável pelo controle da glicose no sangue, além da ativação de mecanismos relacionados à produção de energia nas células.
Os cientistas também verificaram mudanças na atividade do gene MTCH2, conhecido por sua relação com o metabolismo e com o acúmulo de gordura no fígado. Nos animais obesos, esse gene apresentava maior atividade. Após o treinamento, essa alteração deixou de ser observada em razão de um processo epigenético, mecanismo que regula a atividade dos genes sem modificar a estrutura do DNA.
De acordo com os autores, essas evidências ajudam a esclarecer, em nível molecular, de que forma a musculação pode contribuir para proteger o fígado de alterações provocadas pela obesidade. Ainda assim, eles destacam que os resultados representam uma etapa inicial da investigação e dependem de estudos clínicos para verificar se o mesmo comportamento ocorre em pessoas.
As conclusões ampliam o conhecimento científico sobre os efeitos do treinamento de força e indicam que seus impactos podem alcançar diferentes funções do organismo, além dos benefícios já conhecidos para músculos e condicionamento físico.










































