Sexta-feira-18 de setembro de 2026 - Email: [email protected]

Preocupação com segurança leva pais a adiar uso de celular por crianças, aponta IBGE


Da Redação — A preocupação com privacidade e segurança passou a ser o principal motivo para que crianças e adolescentes não tenham telefone celular, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre tecnologia da informação e comunicação, divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra que, em 2025, 32% dos responsáveis citaram esse fator para não dar um aparelho a crianças de 10 a 13 anos, um aumento de 7,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Desde 2022, esse percentual praticamente dobrou.

A mudança acompanha a primeira queda registrada na posse de celulares entre crianças dessa faixa etária desde o início da pesquisa, em 2016. No ano passado, 55,2% dos brasileiros de 10 a 13 anos tinham celular, 1,5 ponto percentual a menos que em 2024. Foi o único grupo etário a apresentar redução.

Em anos anteriores, os principais motivos para a ausência do aparelho eram o preço elevado, a falta de necessidade e o uso do celular de outra pessoa. A preocupação com segurança e privacidade ocupava apenas a quarta posição.

Para o analista do IBGE Gustavo Fontes, o resultado reflete um cuidado maior das famílias com a exposição de crianças nas redes sociais e também coincide com a restrição ao uso de celulares nas escolas adotada em 2025.

O acesso à internet entre crianças de 10 a 13 anos também apresentou leve recuo, passando de 84,9% para 84,4%. Entre aquelas que permanecem desconectadas, a falta de necessidade continua sendo a justificativa mais frequente, seguida pelas preocupações com segurança e privacidade. Entre adolescentes de 14 a 19 anos, o acesso ficou estável, enquanto, na população em geral, subiu de 89,2% para 90,5%. Já a posse de celular alcançou 89,8% dos brasileiros.

Na outra ponta, a pesquisa mostra um avanço da inclusão digital entre os idosos. Em 2025, 74,5% das pessoas com mais de 60 anos usavam internet, alta de 4,4 pontos percentuais em relação a 2024 e de mais de 29 pontos frente a 2019. A proporção de idosos com celular também cresceu, passando de 78,3% para 80,3%.

Entre aqueles que ainda não utilizam internet ou celular, o principal obstáculo é a falta de familiaridade com a tecnologia. Segundo Gustavo Fontes, porém, a digitalização de serviços tem incentivado esse público a se conectar cada vez mais.

O estudo também aponta mudanças nos hábitos dos brasileiros. Em 2025, 74,2% dos usuários acessaram bancos ou instituições financeiras pela internet, enquanto o uso de serviços públicos online chegou a 41,1%. Pela primeira vez, mais da metade dos internautas (52,7%) afirmou comprar ou encomendar produtos e serviços pela internet.

As atividades mais comuns entre os usuários continuam sendo chamadas de voz e vídeo (95,3%), envio de mensagens por aplicativos (90,2%) e consumo de vídeos, filmes e séries (89,3%).






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