Da Redação — Mais de 6,3 milhões de pessoas foram afetadas pelas enchentes que atingiram o estado em 2024. Os dados fazem parte da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo também estima que 2.328.093 domicílios sofreram algum tipo de dano estrutural em decorrência das inundações.
Entre os principais impactos identificados pela pesquisa, a saúde mental aparece como a área mais afetada, sendo mencionada por 67,5% dos moradores entrevistados. O levantamento também aponta prejuízos ao convívio familiar e social para 58,4% da população, além de dificuldades de deslocamento para o trabalho, escolas e creches relatadas por 57,3%.
A maior parte das pessoas atingidas pertencia a famílias com renda mensal de até R$ 5 mil. Esse grupo representava 66,8% do total de moradores afetados. A pesquisa mostra ainda que 51,9% eram mulheres e 48,1% homens. Em relação à autodeclaração racial, 78,5% se identificaram como brancos, 14,3% como pardos e 6,7% como pretos. Crianças e adolescentes de até 15 anos correspondiam a 19,5% da população analisada, enquanto idosos com mais de 60 anos representavam 20%.
O levantamento também identificou que 28,8% dos moradores haviam concluído o ensino médio ou possuíam ensino superior incompleto.
As enchentes comprometeram o acesso físico a 652.107 residências. Mais da metade desses domicílios pertencia a famílias com renda de até R$ 3 mil. Entre os lares em que algum morador precisou de atendimento médico em consequência das chuvas, 56,1% também estavam nessa faixa de rendimento.
Durante os resgates, embarcações foram o principal meio utilizado, presentes em 70% das operações, enquanto o resgate terrestre participou de 34,6% dos atendimentos. Os voluntários estiveram à frente da maior parte das ações de socorro, auxiliando 74,9% das famílias resgatadas. Já os órgãos oficiais, como Corpo de Bombeiros, Forças Armadas e Defesa Civil, atuaram em 35,4% dos atendimentos.
O auxílio financeiro pago pelo governo entre abril e maio de 2024 chegou a 484.221 domicílios, o equivalente a 20,8% das residências afetadas. Entre os beneficiários, 52,9% tinham renda mensal de até R$ 3 mil. Nos imóveis que sofreram danos estruturais e receberam o benefício, o índice de atendimento alcançou 88,7%.
Mais da metade dos entrevistados, equivalente a 55,5%, informou ter registrado danos na estrutura física das residências. Segundo o IBGE, 81.272 imóveis foram destruídos, enquanto outros 190.253 ficaram muito danificados, representando os casos classificados como de maior gravidade.
Em uma amostra de 2.047.938 residências atingidas, os serviços públicos mais comprometidos foram o abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica, ambos afetando 66,3% dos lares, seguidos pela interrupção da internet, registrada em 61,5%.
No entorno das moradias, os problemas mais frequentes foram vias danificadas ou alagadas, acúmulo de lixo, imóveis vizinhos atingidos e falhas na iluminação pública. O estudo aponta que, entre os moradores que relataram esses impactos na vizinhança, mais de 67% também registraram danos na própria residência.
As enchentes também provocaram mudanças de endereço para 922.233 moradores, o equivalente a 14,6% da população pesquisada. Em 349.366 casos, a mudança ocorreu diretamente por causa das cheias. Entre essas pessoas, 71,6% deixaram imóveis danificados e 28,3% pertenciam a famílias com renda de até R$ 2 mil, percentual superior ao observado no conjunto da população analisada.
Ao avaliar a qualidade de vida após o desastre, 24,9% dos entrevistados afirmaram que as condições pioraram em relação ao período anterior às enchentes. Outros 17,3% disseram perceber melhora, enquanto 56,5% avaliaram que a situação permaneceu a mesma.
A pesquisa também mostrou que 38,5% dos moradores afirmaram conhecer ações preventivas para reduzir os impactos de futuras enchentes. Já 41% disseram aprovar as obras de reconstrução realizadas. Para o IBGE, os resultados indicam a necessidade de fortalecer a comunicação entre o poder público e a população para que as medidas adotadas atendam de forma mais eficaz às necessidades dos moradores atingidos.










































