Da Redação — O basquete brasileiro atingiu um patamar inédito nos bastidores da maior liga do mundo. Tiago Splitter iniciou oficialmente sua trajetória como comandante técnico principal do Chicago Bulls, uma das franquias mais icônicas e tradicionais da NBA. O movimento consolida uma sequência de pioneirismos na carreira do brasileiro na liga norte-americana. Como jogador, Splitter já havia feito história ao integrar o elenco do San Antonio Spurs que faturou o anel de campeão em 2014, tornando-se o primeiro atleta do Brasil a erguer o troféu do torneio.
Migrando para a prancheta, ele assumiu interinamente o Portland Trail Blazers na temporada passada, acumulando as marcas inéditas de primeiro brasileiro a dirigir um time na liga, o pioneiro a comandar uma equipe nos playoffs e o primeiro a vencer um jogo de pós-temporada. Agora, ao assinar o contrato definitivo com o time de Illinois, ele se isola como o primeiro técnico do Brasil efetivado no cargo principal de uma franquia da NBA.
A sombra dos anos 90 e o plano para reerguer o Chicago Bulls
O desafio nas mãos do treinador brasileiro carrega o peso de uma dinastia. Hexacampeão da liga, o Chicago Bulls tenta recuperar o protagonismo mundial que marcou a década de 1990, era de ouro em que a franquia varreu o basquete sob a liderança de Michael Jordan. Nos últimos anos, contudo, a equipe mergulhou em um hiato de títulos e iniciou um profundo processo de reestruturação.
A estratégia atual da organização foca no desenvolvimento de jovens talentos e em um reposicionamento técnico completo, utilizando como munição escolhas estratégicas no draft — o sistema de recrutamento de atletas universitários e promessas internacionais da liga — para desenhar uma base sustentável e competitiva a longo prazo.
Reconstrução do zero: intensidade e cultura interna
Em suas primeiras declarações à imprensa brasileira, o comandante de 41 anos destacou que o cenário de transição foi o principal combustível para aceitar o cargo. Splitter enxerga o elenco em renovação como uma tela em branco ideal para implementar sua própria filosofia de trabalho. O treinador ponderou que o projeto exigirá tempo, paciência e continuidade da diretoria, mas adiantou que suas metas imediatas passam por desenhar um estilo de jogo coletivo mais intenso e moldar uma nova identidade tática na quadra. Para o brasileiro, o foco principal nesta largada vai muito além das vitórias imediatas na tabela: o objetivo é blindar a cultura interna da organização, lapidar o elenco jovem e pavimentar a estrada para que o Bulls volte a figurar na briga direta por títulos nas próximas temporadas.










































