Da Redação — A própria residência se tornou o lugar mais perigoso para a população da terceira idade no Rio de Janeiro. É o que revela um raio-x do Ministério Público fluminense (MPRJ), que aponta as mulheres como as principais vítimas de uma onda silenciosa de maus-tratos. Dos casos registrados recentemente, a esmagadora maioria envolveu idosas, sendo que a negligência — a falta criminosa de cuidados básicos e atenção — lidera o ranking das violações, representando quase um terço de todas as denúncias. Além do abandono dentro de casa, as autoridades acendem o alerta para o avanço de novos tipos de agressões, com destaque para os golpes financeiros e os crimes cibernéticos direcionados a esse público.
Essa radiografia da vulnerabilidade social consta no painel “Cenário da Violência contra a Pessoa Idosa”, apresentado pelo Centro de Apoio Operacional do MPRJ nesta segunda-feira (15). Os números gerais confirmam que o problema ganhou escala: em apenas um ano, as notificações de abusos contra idosos saltaram de 2.386 para 2.967 em todo o estado, um salto de 24%.
De acordo com a chefia do órgão, esses indicadores sofrem com a subnotificação e são apenas a ponta do iceberg, já que a perda de independência dos idosos gera um isolamento que esconde o crime. Muitas famílias também enfrentam a falta de recursos e de redes públicas de apoio para garantir uma velhice digna. Para quebrar esse ciclo, o Ministério Público reforça a importância das denúncias anônimas, que podem ser feitas pela Ouvidoria do órgão (telefone 127) ou pelo canal federal de direitos humanos, o Disque 100.










































