Quarta-feira-21 de outubro de 2026 - Email: [email protected]

Sancionada lei que cria a primeira Universidade Federal Indígena do Brasil


Com sede em Brasília, Unind deve atender 2.800 estudantes

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de homenagem ao Presidente da República e à Senhora Janja Lula da Silva pelo Cacique Raoni Metuktire Aldeia Piaraçu, Terra Indígena Capoto/Jarina – MT.

 

O presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quinta-feira (28) a criação da primeira Universidade Federal Indígena (Unind), em evento realizado no Palácio do Planalto. O projeto chega à fase de implementação após meses de articulação política, debates ideológicos e votação no Congresso Nacional.

Segundo o presidente, o investimento com universidade é baixo comparado com o gasto com as pessoas no sistema prisional. “Fica mais barato a gente gastar um pouco para investir na educação do que a gente achar que custa muito não fazer, e o barato vai sair muito mais caro, porque nós não saberemos o destino que damos ao jovem que não conseguiu continuar numa universidade, que não conseguiu estudar.”

Lula ainda citou que a instituição será pensada buscando a permanência e formação dos estudantes, com moradia e alimentação. “Temos que levar em conta que uma universidade indígena terá que levar muito em questão a moradia e o refeitório dos estudantes (…) muitos alunos desistem do Prouni por causa de dificuldades financeiras.”

A instituição

Iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a instituição será voltada para a formação de indígenas, nos níveis de graduação e pós-graduação. Seu modelo é embasado em integrar o fortalecimento de identidades e saberes tradicionais em diálogo com o conhecimento acadêmico não indígena.

De acordo com a deputada federal Sonia Guajajara, em fala para o repórter da Jovem Pan Misael Mainetti, a criação da instituição auxilia principalmente na permanência e conclusão de cursos superiores por indígenas, além de promover a troca de conhecimento entre os povos originários e o desenvolvido na academia tradicional.

“Muitos indígenas chegam às universidades, mas nem sempre conseguem concluir o curso, e a universidade indígena, além de promover ainda mais esse acesso para além das cotas e das bolsas que já existem, vai também absorver, receber estudantes não indígenas para que haja de fato essa troca”, explicou a deputada.

Funcionamento

A Unind deve ter sua primeira sede em Brasília, na antiga universidade dos correios, com início previsto para o próximo mês. O plano é atender cerca de 2.800 alunos em até 4 anos de operação, com 366 docentes, reitoria e administração da instituição com gestão majoritariamente indígena. O foco inicial será em 10 cursos de graduação voltados à formação de professores, educação escolar indígena, saúde coletiva/indígena e gestão territorial e ambiental.

Durante anúncio da criação da universidade, em visita à Aldeia Vista Alegre de Capixauã, em Santarém (PA) em novembro de 2025, o presidente Lula adiantou que, apesar de a sede da Unind ficar localizada na capital do país, a ideia é que todos os estados tenham extensões da universidade conforme a necessidade das comunidades. “Para a meninada fazer o curso próximo de onde mora e não precisar ir para Brasília”, explicou

Segundo o MEC, os pilares da Unind são:

  • Autonomia dos povos indígenas, com a promoção de ensino, pesquisa e extensão sob uma perspectiva intercultural;
  • Valorização de saberes, línguas e tradições indígenas;
  • Produção de conhecimento científico em diálogo com práticas ancestrais;
  • Fortalecimento da sustentabilidade socioambiental;
  • Formação de quadros técnicos capazes de atuar em áreas estratégicas para o desenvolvimento dos territórios indígenas.

(JOVEM PAN)






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