Segunda-feira-5 de outubro de 2026 - Email: [email protected]

Uso do celular e distrações ao volante multiplicam acidentes e elevam custos para a saúde pública


Com a perda de atenção, os reflexos diminuem e aumentam as chances de colisões de alto impacto

 

O uso do celular ao volante segue como um dos comportamentos de maior risco no trânsito brasileiro. Levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revela que, apenas entre janeiro e fevereiro de 2026, mais de 601 mil motoristas foram multados no país por utilizarem o aparelho enquanto dirigiam.

 

A professora Candisse Almeida, do curso de Enfermagem da Estácio, alerta que o celular compromete de forma crítica a atenção do condutor, provocando distrações visuais, manuais e cognitivas, um conjunto que aumenta significativamente o risco de colisões e acidentes graves.

 

Segundo ela, mesmo o uso do viva-voz compromete a percepção situacional do condutor. Além das notificações e mensagens, outras condutas também têm contribuído para sinistros.

 

“Observamos muitas vítimas que relatam distrações cognitivas e operacionais, como o manuseio de painéis multimídia, a alimentação ao volante ou, no caso de motociclistas, o ajuste de capacetes e mochilas durante o movimento”, explica.

 

A professora destaca que com a perda de atenção, os reflexos diminuem e aumentam as chances de colisões de alto impacto. Ela relatou as lesões mais frequentes.

 

“A distração acaba comprometendo o condutor de acionar a frenagem ou fazer uma manobra evasiva, que acaba incorrendo em colisões de alto impacto. E com frequência geram Traumatismos Cranioencefálicos (TCE), Trauma Torácico e Abdominal, fraturas de membros inferiores e superiores, sendo mais comuns em motociclistas e pedestres, além de lesões na coluna cervical”, afirmou.

 

Ela informa que o resultado dos acidentes é o agravamento da superlotação nos hospitais, o que gera atraso em cirurgias eletivas e aumentam o tempo de espera nos prontos atendimentos, já que o trauma é sempre prioridade pela gravidade.

 

“Um paciente de trauma grave costuma exigir atuação imediata de uma equipe multidisciplinar, ocupando leitos de UTI por longos períodos e consumindo insumos de alto custo. E o custo não se limita ao internamento ou à cirurgia. Envolve afastamento do trabalho, reabilitação prolongada e o peso previdenciário”, detalha Candisse.

 

Para a professora, prevenir essas ocorrências exige ações integradas. Ela destaca que campanhas precisam estimular atenção plena ao dirigir, uso correto de dispositivos de segurança e respeito ao pedestre. Ela ressalta que muitos acidentes poderiam ser evitados e que o fortalecimento da educação em saúde é fundamental para que a população compreenda a gravidade das sequelas, muitas vezes permanentes.






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