Da Redação — A preocupação permanente com quedas e picos de glicose tem provocado impactos que vão além do corpo para milhões de brasileiros com diabetes. Uma pesquisa internacional divulgada neste ano mostra que a doença também afeta o sono, a vida social, a sensação de segurança e o equilíbrio emocional dos pacientes.
O levantamento revela que 70% dos brasileiros entrevistados afirmam sofrer consequências importantes na saúde mental por causa do diabetes. Ansiedade sobre o futuro, medo de complicações e sensação de isolamento aparecem entre os relatos mais frequentes.
Segundo os dados, 78% convivem com preocupação constante em relação à doença, enquanto dois em cada cinco pacientes dizem se sentir sozinhos em parte da rotina. Entre pessoas com diabetes tipo 1, o impacto emocional é ainda mais elevado.
Os reflexos aparecem até em atividades consideradas simples. Mais da metade dos participantes afirmou evitar passar muito tempo longe de casa devido às oscilações da glicemia. Situações como trânsito, reuniões demoradas e noites de sono também são citadas como dificuldades frequentes.
A pesquisa mostra ainda que muitos pacientes não se sentem totalmente seguros no controle da própria condição. Apenas uma parcela menor dos entrevistados afirmou ter confiança elevada para lidar diariamente com o diabetes.
Nesse cenário, cresce a procura por tecnologias capazes de antecipar alterações na glicose antes que elas aconteçam. Sensores inteligentes de monitoramento contínuo aparecem como uma das principais demandas dos pacientes, especialmente entre aqueles com diabetes tipo 1.
A maioria dos entrevistados acredita que ferramentas com inteligência artificial poderiam ajudar a prever episódios de hipoglicemia e hiperglicemia, reduzindo emergências, internações e o desgaste emocional causado pela necessidade de vigilância constante.
Para o endocrinologista André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, o monitoramento contínuo já mudou a qualidade de vida de pacientes em vários países.
Embora esses dispositivos estejam amplamente disponíveis em sistemas de saúde de nações como França e Reino Unido, o acesso ainda é restrito no Brasil, principalmente fora da rede privada.
Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao SUS o monitoramento contínuo de glicose para pacientes com diabetes tipos 1 e 2. Mesmo assim, um projeto em análise no Congresso tenta obrigar o fornecimento gratuito da tecnologia pelo sistema público.









































