Da Redação — Um levantamento recente identificou que a infecção por dengue pode estar diretamente ligada ao desenvolvimento da Síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma doença neurológica rara. Os dados indicam que pessoas que tiveram dengue apresentam um risco até 17 vezes maior de desenvolver a condição, podendo chegar a 30 vezes nas semanas iniciais após a infecção.
A conclusão vem de uma pesquisa conduzida por cientistas da Fiocruz Bahia e divulgada em uma revista científica internacional. Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram informações de diferentes bases do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo registros hospitalares, notificações da doença e dados de mortalidade.
Ao cruzar essas informações, foi possível observar que, entre milhares de internações por Guillain-Barré registradas entre 2023 e 2024, dezenas ocorreram pouco tempo depois de episódios de dengue. A constatação reforça a existência de uma relação consistente entre as duas condições, algo que até então não havia sido comprovado de forma conclusiva.
A Síndrome de Guillain-Barré ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar os próprios nervos do corpo. O quadro costuma começar com fraqueza nas pernas e pode evoluir para outras partes do corpo, afetando braços, face e, em situações mais graves, a respiração.
Para especialistas envolvidos no estudo, a identificação dessa associação representa um avanço importante, pois permite reconhecer mais rapidamente possíveis complicações neurológicas em pacientes que tiveram dengue recentemente.
O cenário ganha ainda mais relevância diante do aumento expressivo de casos da doença no país. Em 2024, o Brasil registrou milhões de notificações, com milhares de mortes confirmadas e outras ainda sob análise.
Diante desse contexto, medidas de prevenção e diagnóstico precoce têm sido ampliadas. Entre elas, está a utilização de testes rápidos no SUS, capazes de identificar a infecção logo nos primeiros dias de sintomas.
Outra estratégia adotada é a vacinação. O imunizante desenvolvido no país demonstrou alta eficácia contra formas graves da dengue e pode contribuir não apenas para reduzir os casos da doença, mas também suas complicações.
Segundo os pesquisadores, evitar a infecção pode significar também a redução de quadros graves associados, como a Síndrome de Guillain-Barré, que pode deixar sequelas e exigir tratamento intensivo.
A expectativa é que a ampliação da vacinação e das estratégias de controle ajude a diminuir tanto os casos de dengue quanto os impactos indiretos da doença nos próximos anos.









































