Sexta-feira-23 de outubro de 2026 - Email: [email protected]

“Onde Me Encontro” transforma vivência em arte e dá visibilidade ao autismo em mulheres


Exposição apresenta trabalhos construídos a partir do corpo e propõe reflexão sobre diagnóstico tardio, neurodiversidade e pertencimento.

A arte como forma de se entender o mundo e de existir nele. É a partir dessa experiência íntima que a Bacharel em Belas Artes Silvia Feliciano apresenta ao público a exposição “Onde Me Encontro: Arte e Neurodivergência”, que será realizada no dia 06 de abril, no Sesc Centro Cultural.

A mostra reúne trabalhos produzidos em oficinas gratuitas voltadas a adultos autistas diagnosticados tardiamente ou em processo de investigação, um recorte que ainda enfrenta invisibilidade, especialmente no caso das mulheres.

Idealizado e conduzido por Silvia Feliciano, que também atua como coordenadora e oficineira, o projeto nasce de uma vivência pessoal. Casada com uma pessoa autista e também se reconhecendo dentro do espectro, ainda sem diagnóstico formal, ela transformou na arte um caminho possível de escuta, acolhimento e expressão.

“Muitas mulheres passam a vida inteira aprendendo a se adaptar, a imitar comportamentos para serem aceitas. Isso faz com que o autismo passe despercebido, mas não diminui o impacto emocional dessa experiência”, aponta.

Silvia é Bacharel em Belas Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais, Silvia possui mais de 30 anos de atuação na área artística, com experiências em formação, exposições e projetos culturais. “Hoje, em Porto Velho, desenvolvo pesquisas que dialogam com arte, corpo e processos de expressão sensível”, destaca.

Foi a partir desse entendimento que surgiu a proposta da oficina: um espaço seguro onde cada participante pudesse se expressar a partir do próprio corpo. A metodologia parte do desenho do contorno corporal em escala real, que serve como base para colagens, desenhos e intervenções visuais, permitindo que emoções, vivências e sensações sejam traduzidas em imagens.

A proposta não tem caráter terapêutico nem diagnóstico, mas se consolida como uma ferramenta potente de autoconhecimento e pertencimento.

Mais do que resultado artístico, a exposição apresenta narrativas visuais de pessoas que, muitas vezes, convivem com o autismo sem acesso ao diagnóstico ou a políticas públicas adequadas, enfrentando situações de isolamento, ansiedade e esgotamento emocional.

Ao abrir essas produções ao público, o projeto amplia o debate sobre neurodiversidade e convida a sociedade a olhar para o autismo para além dos estereótipos, especialmente quando se trata de mulheres adultas.

Taiane Sales, produtora executiva do projeto, reforça o compromisso da iniciativa com o alcance social ao ampliar esse debate de forma acessível, criando pontes entre arte, comunicação e sociedade, especialmente a partir de experiências ainda pouco visibilizadas. “Onde Me Encontro é, acima de tudo, um gesto de escuta e visibilidade. Um espaço para que essas vivências ganhem forma e possam ser compreendidas com mais sensibilidade”, conclui.

*SERVIÇO*
Exposição: Onde Me Encontro: Arte e Neurodivergência
Data: 06 de abril
Horário: 09h
Local: Sesc Centro Cultural
Entrada: Gratuita






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