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Mulheres se reúnem em Copacabana contra a violência e o feminicídio


Milhares foram às ruas para pedir paz e igualdade de direitos
TÂMARA FREIRE – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2026 – Ato do Dia Internacional da Mulher ocupa a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, pedindo o fim das violências contra as mulheres. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
© TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL
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No Rio de Janeiro, o Dia Internacional das Mulheres foi marcado por uma marcha na Praia de Copacabana. Milhares de mulheres protestaram contra o feminicídio e as diversas formas de violência de gênero. Elas também exigiram mais orçamento para as políticas públicas voltadas à igualdade.

No carro de som, diversas representantes de coletivos feministas se revezaram na leitura do manifesto do movimento. As reivindicações abordavam áreas diversas, como a criminalização dos grupos que promovem o ódio às mulheres, o aumento das licenças-maternidade e paternidade, a criação de linhas de crédito para mulheres empreendedoras e de espaços educacionais inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes. Outra demanda bastante lembrada foi o fim da escala 6×1 de trabalho.

Fim da Violência

Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2026 – Ato do Dia Internacional da Mulher ocupa a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, pedindo o fim das violências contra as mulheres. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Um grupo de pernaltas participou do ato em defesa dos direitos das mulheres neste 8 de março, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Mas a tônica principal do protesto foi o fim da violência de gênero. Muitas participantes lembraram de casos recentes como a morte de Tainara Souza Santos, atropelada por um ex-companheiro, e o estupro coletivo cometido contra uma adolescente, ocorrido na mesma Copacabana onde o ato ocorria.

Acompanhando o carro de som, as participantes cantaram uma paródia da música “Eu quero é botar meu bloco na rua” de Sérgio Sampaio: “Eu quero é andar sem medo nas ruas. Chega! Queremos viver! Eu quero é ficar sem medo em casa. Chega! Queremos viver!”

À frente da marcha, um grupo de pernaltas carregava uma faixa com a frase: “Juntas somos gigantes”. As artistas fizeram uma performance deitando no chão de olhos fechados, para lembrar as mulheres mortas nos crimes de violência de gênero. Depois se levantaram e se posicionaram em círculo gritando as palavras de ordem: “Todas vivas!”

Diferentes Gerações

O protesto reuniu várias gerações de mulheres. Rachel Brabbins, por exemplo, participou da marcha ao lado da filha Amara, de sete anos. A pequena carregava um cartaz com os dizeres: “Lute como uma menina”. “Eu acho super importante, pra ela aprender que tem direitos, tem voz e pode falar. Aqui também ela vê a nossa luta, e que estamos todas juntas”, disse Rachel.

E não faltaram inspirações para a pequena Amara. Como Silvia de Mendonça, que milita em coletivos feministas desde a década de 80, e fez questão de comparecer à marcha vestindo uma bandeira com o rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.

“A Marielle foi vítima de um crime brutal, que pretendia o silenciamento e o apagamento dela. É uma dor muito entranhada, que se reflete também em outras mulheres vítimas de feminicídio, de violência doméstica, de estupro… E a Marielle se tornou um símbolo de resistência, de que nós temos que nos unir cada vez mais”.

Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2026 – Ato do Dia Internacional da Mulher ocupa a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, pedindo o fim das violências contra as mulheres. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Mulheres de diferentes gerações estiveram presentes, pedindo o fim das violências. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

As organizadoras do ato deste domingo também convocaram os homens para se juntar à luta pelo fim das violências. Thiago da Fonseca Martins atendeu ao chamado e participou do protesto junto com o filho Miguel, de 9 anos. Ele concorda que os homens devem contribuir de forma ativa, inclusive na criação dos filhos.

“Obviamente, a gente não pode promover violência contra a mulher, mas também temos que promover a igualdade sempre que a gente puder. A gente vive numa sociedade machista, e temos que entender que tivemos uma criação machista, então precisamos sempre ficar atentos, discutir e demover essas ideias”.

Para Rita de Cássia Silva, também presente nesta manhã em Copacabana, a educação contra a violência de gênero também é essencial: “Essa cultura misógina é geracional. Ao longo de gerações, muitas mulheres achavam que era normal as violências que elas sofriam, e os filhos assistiam aquilo e achavam que era normal”, disse.

“É ótimo que nós estamos conscientizando a população adulta, mas é importante uma iniciativa, com apoio dos governos, para ajudar as famílias a mudar essa cultura, desde as crianças”, completou.

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