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Violência: Rondônia exige mais que reação, exige estratégia


Acir Gurgacz | Ação | Estratégia | Rondônia

Mais do que reagir às crises do momento, é preciso construir uma estratégia de longo prazo capaz de devolver à população aquilo que deveria ser um direito básico: a tranquilidade de viver sem medo

 

Por Acir Gurgacz

 

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Violência: Rondônia exige mais que reação, exige estratégia

Nos últimos meses, a sensação de insegurança tem se tornado cada vez mais presente no cotidiano da população de Rondônia. Casos de violência armada, crimes patrimoniais e episódios de violência contra a mulher têm ocupado espaço frequente nas manchetes e nas conversas nas ruas. Ainda que a criminalidade seja um fenômeno complexo e multifatorial, os dados recentes reforçam a percepção de que o estado enfrenta um momento delicado na área da segurança pública.

 

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Rondônia registrou centenas de mortes violentas intencionais nos últimos anos, incluindo homicídios e latrocínios. A taxa de homicídios permanece acima de patamares considerados seguros por organismos internacionais, colocando o Estado entre aqueles com maior nível de violência proporcional no país.

 

A situação torna-se ainda mais preocupante quando observamos o crescimento das denúncias de violência doméstica. Dados do serviço Ligue 180 indicam aumento expressivo nos atendimentos relacionados à violência contra a mulher no estado, um reflexo tanto da ampliação das denúncias quanto da persistência de uma realidade alarmante. Esse tipo de violência, muitas vezes invisível, expõe falhas estruturais na rede de proteção às vítimas.

 

Na capital Porto Velho, episódios recentes envolvendo confrontos armados e ataques ligados a organizações criminosas evidenciam outro desafio: o fortalecimento de facções que disputam territórios e ampliam o clima de medo nas comunidades. Esse fenômeno não é exclusivo de Rondônia, mas assume características preocupantes em regiões onde o Estado ainda enfrenta dificuldades para consolidar presença institucional em determinadas áreas.

 

Diante desse cenário, insistir apenas em respostas emergenciais ou operações pontuais de segurança é insuficiente. A violência exige estratégia, continuidade e integração entre diferentes políticas públicas, como o fortalecimento do policiamento orientado por inteligência, investimentos em tecnologia, análise de dados e integração entre forças policiais.

 

Outra frente indispensável é a ampliação do monitoramento urbano. Sistemas de videomonitoramento, centros integrados de comando e uso de tecnologias de vigilância têm se mostrado ferramentas eficazes em diversas cidades brasileiras. Quando aliados a respostas rápidas das forças de segurança, esses sistemas contribuem para reduzir crimes e aumentar a sensação de segurança.

 

Segurança pública não se constrói apenas com polícia nas ruas. Políticas sociais também desempenham papel central, com programas voltados para juventude, educação integral, esporte e qualificação profissional também são fundamentais para reduzir a vulnerabilidade social que muitas vezes alimenta o recrutamento de jovens por facções criminosas.

 

No caso da violência contra a mulher, o fortalecimento da rede de proteção é urgente. Delegacias especializadas, casas de acolhimento, atendimento psicológico e campanhas permanentes de conscientização são instrumentos essenciais para garantir que vítimas tenham apoio e segurança para denunciar.

 

Também é necessário ampliar a cooperação entre os entes federados com políticas de urbanização, iluminação pública, ocupação de espaços degradados e fortalecimento das guardas municipais, contribuindo significativamente para a prevenção da criminalidade.

 

Rondônia tem diante de si um desafio complexo, mas não insolúvel. Experiências bem-sucedidas em outras regiões mostram que a violência pode ser reduzida quando há planejamento, investimento e continuidade nas políticas públicas. Mais do que reagir às crises do momento, é preciso construir uma estratégia de longo prazo capaz de devolver à população aquilo que deveria ser um direito básico: a tranquilidade de viver sem medo.






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