Da Redação — Pesquisadores dos Estados Unidos anunciaram o desenvolvimento de um chip cerebral ultrafino capaz de se comunicar com o cérebro humano em tempo real. O dispositivo, descrito como tão fino quanto um fio de cabelo, cria uma interface sem fios entre a atividade neural e computadores externos, aproximando aplicações médicas de alto impacto e futuras interações diretas entre pessoas e máquinas.
O implante — chamado Biological Interface System to Cortex (BISC) — foi criado por cientistas das universidades de Columbia, Stanford, Pensilvânia e de um hospital universitário de Nova York. O estudo que apresenta a tecnologia foi publicado em 8 de dezembro na revista Nature Electronics.
Diferentemente de modelos anteriores, que dependiam de caixas eletrônicas implantadas no corpo, todo o sistema está concentrado em um único chip extremamente fino que pode ser inserido no espaço entre o crânio e o cérebro durante a cirurgia, sem perfurar o tecido cerebral. O componente permanece apoiado diretamente sobre a superfície do órgão.
Apesar do tamanho reduzido, o BISC possui mais de 65 mil eletrodos capazes de registrar sinais de neurônios e milhares de canais que, ao mesmo tempo, fazem leitura e estimulam a atividade cerebral — elemento crucial para aplicações clínicas. Segundo os pesquisadores, tecnologias assim poderiam futuramente auxiliar pessoas com epilepsia, paralisia, lesões medulares, AVC, esclerose lateral amiotrófica (ELA) e algumas formas de cegueira, ajudando no controle de crises, na recuperação de fala e movimentos e na interpretação de sinais visuais.
Para enviar os dados à parte externa, o chip se conecta a uma pequena estação sem fios que faz transmissão de energia e informações por ondas de rádio. A velocidade chega a 100 megabits por segundo, índice pelo menos cem vezes superior ao de implantes similares já testados em humanos. Isso permite analisar padrões complexos dos neurônios praticamente de forma instantânea.
A tecnologia já avançou para avaliações iniciais em pacientes durante cirurgias neurológicas. Os primeiros testes indicam que o formato ultrafino e a ausência de fios rígidos tendem a reduzir reações inflamatórias ao longo do tempo, aumentando a segurança do procedimento.
O projeto contou com financiamento da DARPA, agência de pesquisas avançadas do Departamento de Defesa dos EUA, além de recursos do National Institute of Health, que apoia estudos para tratar epilepsia resistente a medicamentos. Para levar o chip ao mercado, os cientistas fundaram a startup Kampto Neurotech, que desenvolverá versões destinadas à pesquisa e futuras aplicações médicas.
Segundo a equipe, o avanço combina alta capacidade de monitoramento cerebral, funcionamento totalmente sem fios e algoritmos de inteligência artificial — um conjunto que pode transformar tanto a compreensão de doenças neurológicas quanto a forma como seres humanos interagem com tecnologias digitais.










































