Quarta-feira-23 de setembro de 2026 - Email: [email protected]

Cientistas dizem que menção ao fim dos fósseis em texto da COP30 é insuficiente


 

Sete dos maiores cientistas climáticos do planeta pedem linguagem clara e robusta nos Mapas do caminho para fim dos fósseis e fim do desmatamento

 

Cristiane Prizibisczki

 

Plataforma para exploração de petróleo no mar. Acima, a P-51. Foto: Divulgação Petrobras / ABr.

Sete dos maiores cientistas climáticos do planeta lançaram na quarta-feira (19) um apelo para que a COP30 saia com compromissos reais e robustos para o fim dos combustíveis fósseis e o fim do desmatamento. Segundo eles, a forma como os “mapas do caminho” aparecem nos textos que se têm até agora não são suficientes para o enfrentamento da crise do clima.

 

“Ambas as propostas de texto de roteiros para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e para o fim do desmatamento são uma provocação [uma brincadeira de mau gosto]. Os delegados parecem não entender o que é um roteiro. Um roteiro não é um workshop ou uma reunião ministerial. Um roteiro é um plano de trabalho real, que precisa nos mostrar o caminho, de onde estamos, para onde precisamos chegar – e como chegar lá”, diz a carta publicada pelos cientistas.

 

Entre os signatários da carta estão Joham Rockström, pesquisador do Potsdam Institute for Climate Research e criador do conceito de limites planetários, e os brasileiros Thelma Krug, presidente do Conselho Científico da COP30, Carlos Nobre, do Painel Científico da Amazônia e Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo.

 

Segundo Carlos Nobre, o Roadmap pedido por Lula e apoiado por diferentes países precisa ser ambicioso, sem linguagem genérica ou metas insuficientes.

 

pesquisador Carlos Nobre, em evento na COP 30, na segunda-feira (17). Foto: Tânia Rego/Agência Brasil.

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“Nós gostaríamos que essa COP fosse tão importante quanto o Acordo de Paris e a COP 26 foram, quando os países todos se comprometeram a reduzir as emissões e também buscar a adaptabilidade de milhões de pessoas. Vamos torcer que o roadmap seja também muito mais do que apareceu até agora”, disse, em coletiva de imprensa para lançamento da carta.

 

No documento, os cientistas afirmam que a COP30 tem uma escolha a fazer: proteger as pessoas e a vida ou proteger a indústria de combustíveis fósseis.

 

“Precisamos chegar o mais próximo possível de zero emissões absolutas de combustíveis fósseis até 2040, no máximo até 2045. Isso significa, globalmente, nenhum novo investimento em combustíveis fósseis, a remoção de todos os subsídios a esses combustíveis e um plano global sobre como introduzir fontes de energia renováveis e de baixo carbono de maneira justa, e eliminar rapidamente os combustíveis fósseis”, dizem.

 

Segundo os cientistas, o orçamento global de carbono calculado pela ciência – o quando a humanidade ainda poderia emitir – está essencialmente esgotado, reduzido a 130 bilhões de toneladas de CO2, o equivalente a apenas 3 ou 4 anos de emissões globais na taxa atual.

 

“A curva global das emissões de gases de efeito estufa precisa começar a cair já em 2026. Precisamos começar agora a reduzir as emissões de CO2 provenientes de combustíveis fósseis em pelo menos 5% ao ano”, dizem os cientistas.

 

Esta reportagem foi produzida por ((oeco)), por meio da Cobertura Colaborativa Socioambiental da COP 30. Leia a reportagem original no Link

 

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