Terça-feira-29 de setembro de 2026 - Email: [email protected]

Guedes critica relatório do FMI que aponta problemas fiscais no Brasil


Fundo Monetário Internacional avalia, em relatório, que combate aos efeitos da pandemia no Brasil tiveram custo elevado, e prevê volta do rombo nas contas púbicas em 2023. Para o ministro, fundo diz “besteira”

Correio Braziliense
  •  (crédito: NICHOLAS KAMM)
(crédito: NICHOLAS KAMM)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reagiu com irritação a relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) que aponta problemas fiscais na economia brasileira. Guedes disse que o FMI “tem de falar menos besteira”, ao comentar os cálculos do organismo indicando que o governo brasileiro poderia ter gasto metade do que foi despendido com o auxílio emergencial durante a crise da covid-19. No lugar de “puxar a orelha” do Brasil, afirmou, o FMI deveria alertar os Estados Unidos e a Europa que “estão dormindo no volante”, em referência às dificuldades em termos de crescimento e da escalada da inflação.

O fundo reconhece que, sem o auxílio emergencial, o Brasil teria vivido uma perda de renda maior, e estima que o custo fiscal do benefício concedido pelo governo brasileiro durante a pandemia tenha chegado a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país entre 2020 e 2021. Em um cenário alternativo, apontou, porém, que um programa com benefícios menores, de cerca de um terço do valor concedido, ainda protegeria a população em geral, mas a um custo 50% menor, conforme o relatório Monitor Fiscal, que avalia a situação das contas públicas dos países-membros, publicado ontem.

O documento prevê que o Brasil deve apresentar superavit primário de 0,8% neste ano e que a dívida total do governo brasileiro deve cair. A instituição espera que a relação entre a dívida bruta e o Produto Interno Bruto (PIB) — um dos principais indicadores de solvência de um país e avaliado de perto pelas agências de classificação de risco — do país diminua para 88,2% neste ano (ante 93% em 2021). Caso o cenário traçado pelo fundo se materialize, seria o melhor resultado desde 2016. Ainda assim, a dívida continuará entre as maiores comparadas às dos pares emergentes, atrás apenas da do Egito.






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