Quinta-feira-8 de outubro de 2026 - Email: [email protected]

Eleições – Mulheres ganham mais espaço nos partidos e 30% de recurso do Fundão Eleitoral


PORTO VELHO – Uma vitória para as mulheres, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral decidindo que a cota de 30% de vagas nas listas de candidatos de cada partido seja também válida na composição de cada órgão diretivo da sigla. A decisão estende a estabelecida anteriormente pela Lei 9.504, devendo “ser aplicada nas disputas pelos cargos em diretórios nacionais, regionais e municipais dos partidos”.

Segundo a pesquisa feita pela União Interparlamentar Mundial, analisando a presença feminina sobre a representação feminina nos parlamentos, o Brasil é o 154ª entre os 93 países filiados, e isso em qualquer dos parlamentos brasileiros, do menor município ao senado da República.

E o que elas pensam do assunto por aqui? O expressaorondonia foi em busca da opinião de quem já militou na política local, ou de quem pretende, e as respostas foram praticamente as mesmas. “O problema é que eles não confiam na gente”, respondeu a universitária Maria Helena, 25 anos, filiada a um partido e que pretende este ano disputar uma vaga para a Câmara portovelhense. Segundo ela é comum ouvir dentro da sigla citações que diz serem “desestimulantes”. Ela, pelo visto, não está esperando grandes modificações, “mesmo com essa decisão”.

A ex-deputada Lúcia Tereza, falecida em 2017, admitiu uma vez ao jornal Alto Madeira que era muito mais difícil à mulher militar na política do que aos homens. “Não sei como vamos romper isso”, seguiu, lembrando que o voto feminino era mais difícil de conseguir.

“Espero que mude”, disse Ana Cláudia, garantindo que apesar dos 16 anos a completar só em dezembro, e por isso não se inscreveu como eleitora, “sempre gostei de política e entendo que esse é o caminho certo para a democracia”. Sobre a decisão do TSE, “já era tempo. Se somos a maioria do eleitorado, temos de ter maior representatividade”.

Odaísa Fernandes, ex-deputada e ex-vice-governadora, além de única mulher a já ter ocupado a presidência da Assembleia Legislativa, disse sentir esse problema. “Pior é que a mulher candidata tem mais dificuldades em conseguir o voto feminino, como ouvi várias vezes nas campanhas que participei”. Quanto a vagas nas direções partidárias, ela crê ter sido uma exceção. “Ocupei diversos postos, mas isso foi facilitado porque, como foi o caso do PSDB, eu fui fundadora da sigla”, admitindo, no entanto, que “é difícil encontrar uma mulher como dirigente maior de uma sigla”.

“Talvez seja o discurso”, disse uma ex-militante partidária que nem quis citar a sigla à qual foi filiada. Segundo ela muitas pessoas não entendem o direito da mulher atuar na política, da mesma forma que os homens, “e não ficarmos focadas apenas em creches, em problemas de gestantes, isso são questões que afetam não só às mulheres.  Creio que agora vamos ter mais voz dentro das direções partidárias, e isso é muito bom”.

A funcionária pública Lúcia Silva disse que nunca pretendeu ser candidata a nenhum mandato. “Mas torço que ganhemos maior visibilidade, inclusive em razão dessa decisão.

Para se ter ideia da discrepância, este ano de 2020 o eleitorado feminino representa 77 milhões, ou 52% do número total de votantes, mas a representação do gênero na Câmara Federal e no Senado variam de 15 a 16%.

E quando se fala em representatividade feminina nos órgãos diretivos da Câmara e do Senado isso é baixíssimo. Para se ter ideia, só uma vez desde a República, uma mulher presidiu a Câmara Federal e apenas menos de 1% das várias composições parlamentares já esteve com uma mulher em cargo diretivo da Câmara, uma delas a rondoniense Mariana Carvalho, entre 2017 e 2019.






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