Segunda-feira-12 de outubro de 2026 - Email: [email protected]

Economia: mais uma vítima da Covid-19


José Hiran da Silva Gallo

Por José Hiran da Silva Gallo* – A pandemia de Covid-19 deixa ao redor do mundo um rastro de sequelados e de mortos. Uma das piores emergências epidemiológicas da história da humanidade, essa doença tem uma característica única, que a diferencia de outras: ela fragiliza também a saúde das economias dos locais por onde passa. Com a imprevisibilidade de sua duração e a exigência de medidas de prevenção, se acendem os sinais de alerta para desdobramentos igualmente graves para os trabalhadores e empresários, bem como para suas famílias.

É certo que após o fim da pandemia o mundo mergulhará num quadro de recessão que, alguns economistas, consideram ser a mais profunda dos últimos 100 anos. Para deixar claro o conceito, recessão pode ser entendida como uma queda “significativa” da atividade econômica ao longo de um período maior, com reflexos no Produto Interno Bruto (PIB), salários, empregos, produção industrial e comércio.

A convicção é tamanha na chegada dessa crise no período pós-Covid-19 que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já lhe deu até nome – “o Grande Confinamento” – inspirado pelas medidas de restrição de contato social preconizadas. E, assim como ainda não se conhece remédio ou vacina para a Covid-19, também não se sabe qual será exatamente os contornos dessa recessão pós-pandêmica.

Alguns acreditam que ela será profunda, mas de duração “curta” (um ou dois anos), com a retomada do crescimento em seguida. Outros – a maioria – apostam num prolongamento da crise por um tempo maior, mas também com recuperação posterior. Ainda há os que preveem um processo de altos e baixos, com sucessão de tempestades e estiagens. Independentemente do formato, no Brasil, as nuvens já estão saindo do horizonte para cobrir o País.

A previsão do FMI, divulgada em abril, apontava uma queda de 5,3% nos indicadores econômicos nacionais, em 2020, contra uma previsão anterior, de janeiro, de crescimento de 2,2%. Em outras palavras, com a continuidade do cenário atual haverá empresas que não vão conseguir se manter e optarão pela demissão de funcionários, dando início a um efeito dominó.

Valquíria Homero e Mario Kanno /Poder360

O consumo ficará retraído por conta de uma demanda menor com queda na arrecadação de impostos, gerando sangria nas finanças públicas e retração na capacidade de investimento. Alguns dos primeiros indicadores colhidos durante a pandemia já são preocupantes. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, entre fevereiro e março, o desemprego no país avançou de 11,6% para 12,2%.

Assim, os dados de abril e maio, ainda em fase de análise, darão uma dimensão mais clara de como a recessão que se aproxima golpeia o mercado de trabalho. Previsões otimistas consideram que a taxa de desemprego, em 2020, deve fechar em, pelo menos, 15%.  Esse conjunto de fatores aponta para uma lenta recuperação da economia brasileira.  Afinal, endividado por conta do enfrentamento ao coronavírus, o setor produtivo fica com o caixa comprometido e sem fôlego para investir. Essa é uma combinação que reduz a possibilidade de uma volta acelerada da atividade econômica.

Esse artigo não quer ser alarmista, mas chama a atenção dos rondonienses, em especial das autoridades, para a necessidade de colocar os pés na realidade e planejar alternativas para que esse período recessivo tenha um impacto menor na vida das famílias. Isso implica em adotar medidas de racionalização nos gastos públicos, manutenção de investimentos em áreas chave e de estímulo à economia, com a concessão de subsídios e linhas de crédito.

É preciso atuar para que as perdas nos níveis de emprego sejam as menores possíveis, o que permitirá que o Estado atravesse com menos atropelos os próximos anos. Diante disso, além das medidas de prevenção ao avanço da Covid-19, muito necessárias nesse momento, espera-se que o Governo deixe claro seu plano estratégico para o período pós-pandêmico, o qual deve inclusive medidas com foco na atividade econômica. Somente assim, serão reduzidos os efeitos da doença do coronavírus sobre o trabalho, a renda e a vida dos rondonienses.

 

 

 

 

*Diretor-tesoureiro do Conselho Federal de Medicina; Pós-doutor e doutor em bioética






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